Dor de Cabeça (Cefaléias)

Na prática clínica, a grande maioria de pacientes investigada por causa de dores de cabeça acaba tendo o diagnóstico de cefaléia primária (ou seja, cefaléia periódica para a qual nenhuma anormalidade subjacente estrutural, infecciosa ou sistêmica de outro tipo pode ser encontrada). Enxaqueca (também conhecida como migrânea) e cefaléias do tipo tensional constituem a maior parte desta população, mas às vezes ocorrem outros tipos menos comuns. A International Headache Society (Sociedade Internacional de Cefaléia) catalogou mais de 100 tipos de cefaléias.

As cefaléias se caracterizam, de forma geral, pela presença de sensação dolorosa na cabeça, pescoço e face e são divididas em primárias e secundárias. As primárias, como mencionado anteriormente, não têm uma causa subjacente e são causadas por distúrbios bioquímicos do próprio cérebro; já as secundárias, têm sua causa em problemas em qualquer região do corpo, como tumores cerebrais, aneurismas, problemas nos olhos, ouvido e garganta ou até mesmo um simples resfriado.

Apesar da grande prevalência no mundo contemporâneo, as dores de cabeça não são exclusivas dessa era. Podem ser encontrados documentos com descrições de cefaléia em sumérios e egípcios antes da era cristã. Aretaeus da Capadócia, no segundo século turco, escreveu que as pessoas que sofriam de cefaléia escondiam-se da luz e desejavam a morte (provavelmente, uma referência à crise enxaquecosa). Em meados do ano de 1985, um estudo baseado em pesquisa de grande escala, informou que a prevalência de cefaléia nos EUA era de 78% nas mulheres e 68% nos homens. Mais recentemente (2005), um estudo nacional realizado por Bolan e colaboradores, mostrou uma prevalência de 74,1% de cefaléia na amostra estudada.

Entre as cefaléias primárias mais comuns estão a cefaléia tensional e a enxaqueca. A cefaléia tensional, provavelmente a mais comum, atinge mais as mulheres entre 20 e 50 anos, podendo ser desencadeada por estresse ou cansaço e durar de algumas horas a dias. A dor é geralmente leve a moderada, não pulsátil, e não proíbe a rotina normal. Por outro lado, a enxaqueca se caracteriza por dor de moderada a grande intensidade, limitando a realização das atividades diárias. A dor é, normalmente, unilateral, pulsátil, com duração de 4 a 72 horas, acompanhada de náusea e/ou vômito e é agravada ao realizar atividades corriqueiras como subir escadas ou caminhar. Da mesma forma que a cefaléia tensional, atinge mais as mulheres entre 20 e 40 anos. Calcula-se que aproximadamente 16% das mulheres e 6% dos homens preencham os critérios clínicos para enxaqueca. Outro aspecto de grande relevância é o fato desse tipo de cefaléia estar relacionado com certos fatores desencadeantes como a tensão pré-menstrual (TPM), determinados alimentos (chocolate, frutas cítricas, queijo etc), álcool, luz, cheiros, entre outros. Neste contexto, somente um especialista pode avaliar a freqüência, duração, características/natureza da dor, localização, fatores desencadeantes, e a gravidade da cefaléia. Todos esses dados ajudam no diagnóstico clínico e na determinação do tratamento. Eventualmente pode ser necessária a realização de algum exame complementar, como raios-X ou até mesmo tomografia computadorizada.

Certamente, as cefaléias, comumente chamadas de dor de cabeça, estão entre as maiores queixas nos consultórios médicos e nem sempre um simples analgésico consegue resolver o problema. Além dos dois tipos mais prevalentes de cefaléia, mencionados anteriormente, gostaria de realçar dois outros tipos pelas suas características peculiares: a cefaléia orgásmica e a cefaléia hípnica. A cefaléia orgásmica atinge tanto homens como mulheres e o pico de intensidade acontece no momento do orgasmo e só desaparece várias horas depois. A causa do problema está associada a um mau gerenciamento das informações dolorosas no cérebro, que interpreta aquele momento como uma situação de dor. O mecanismo desencadeante desse tipo de dor de cabeça está vinculado às alterações físicas que acontecem durante a atividade sexual (aumento na pulsação, na pressão arterial, na tensão muscular e na produção de serotonina).

As causas da cefaléia orgásmica não são bem conhecidas, mas geralmente o problema coincide com um novo parceiro sexual, um novo local, uma nova posição ou problemas morais. Este tipo de cefaléia afeta mais as pessoas que já sofrem de enxaqueca, mas mesmo quem nunca teve uma dor de cabeça pode vir a apresentar algumas crises. Controlar o stress, dormir bem, fazer uma alimentação saudável e praticar atividades físicas são as principais orientações para quem quer se livrar do problema. Vale ressaltar que a cefaléia relacionada à atividade sexual tem muita importância, já que não interfere apenas na vida de quem a tem, mas também na do parceiro sexual. Um outro tipo emblemático de dor na cabeça é a cefaléia hípnica, conhecida como dor de cabeça dos idosos. Normalmente, atinge pacientes acima dos 50 anos, em variados graus de intensidade. Esse tipo de dor aparece durante o sono e acorda o paciente, que levanta, passa a se movimentar e, assim, consegue obter algum tipo de melhora. Os episódios de dor podem ocorrer cerca de 15 vezes ao mês, com duração de 5 a 60 minutos.

O diagnóstico da cefaléia hípnica é determinado por exclusão, ou seja, são feitos exames para excluir a ocorrência de outras doenças. A melhor forma de prevenção é uma boa alimentação e a prática regular de exercícios físicos Para o tratamento de pacientes com cefaléia, utilizamos estratégias farmacológicas e não-farmacológicas. O tratamento farmacológico pode ser dividido em duas grandes categorias: tratamento agudo aplicado durante uma crise para abortá-la e tratamento profilático diário para diminuir a freqüência e a gravidade das crises futuras. Dentre os medicamentos mais utilizados para atingir tais objetivos, cito os antidepressivos tricíclicos (amitriptilina, nortriptilina), beta-bloqueadores (propranolol, nadolol, metoprolol), anticonvulsivantes (gabapentina, topiramato), bloqueadores dos canais de cálcio (flunarizina), agonistas serotoninérgicos ou triptanos (sumatriptano, naratriptano, rizatriptano) e os antiinflamatórios não-esteróides (naproxeno, cetoprofeno, aspirina)

Os tratamentos não-farmacológicos incluem métodos muito antigos tais como aplicação de pressão, calor ou frio diretamente na cabeça, bem como estimulação elétrica, tratamento dentário, acupuntura, hipnose, relaxamento, biofeedback e terapia cognitiva. Todas estas técnicas têm seus defensores, mas as dificuldades inerentes a elaboração e implementação de estudos sem tendenciosidade tornam quase impossível fazer declarações firmes sobre sua eficácia. Vale ressaltar, ainda, os freqüentes abusos de medicamentos em muitos pacientes que não têm um tratamento adequado da sua dor de cabeça. Adiciona-se, neste contexto dois outros problemas igualmente preocupantes: a toxicidade medicamentosa e a dependência química. É uma forma de tratamento de algumas patologias, através de agentes físicos, como a água, o calor, o frio, e outros, com o principal objetivo de reabilitar e devolver ao indivíduo, sua capacidade física-psico-social, sob acompanhamento e orientação de um profissional especializado: O fisioterapeuta, este recorre as suas técnicas para aliviar dores decorrentes de traumas, problemas na coluna, diminuir efeitos provocados por derrames, entre outros.